3 de mai de 2017

"Amizades"


Ontem fiquei sabendo que eu tinha, pelo menos, quatro pessoas no meu Facebook que acham que a militância asiática é uma "opressão pra chamar de minha". Olha, sinceramente, a última coisa que eu queria, era ter uma opressão pra chamar de minha, já me basta ser mulher, não precisaria de mais sarna pra coçar.

Fiquei sabendo que essas mesmas pessoas riem de mim e disseram que apenas eu problematizo "pastel de flango" e que só falo disso, como se fosse só isso que importasse na militância asiática. Aí fica bem nítido que não leem minhas publicações. Aliás, quantas militantes asiáticas elas tem para dizerem que só eu falo disso? Se só eu me importo e falo disso? Tem certeza?


Disseram que "pastel de flango" não é uma coisa para se importar porque não é recorrente, é irrelevante... Não é recorrente pra quem? É irrelevante pra quem? Em que mundo vive para dizer que não é recorrente?

A falta de empatia foi tão imensa que me deixou bastante chateada. Não só pelo fato de estarem no meu Facebook, mas pelo fato de diminuírem a luta alheia e ainda debocharem da minha cara! Me senti bastante humilhada.

Aparentemente, não ser mais militante feminista é aval para ser escrota com as pessoas. O pior é que tudo isso é em nome do famoso “lacre”. Sim, se a pessoa é escrota aleatoriamente, sempre tem os comentários “Pisa menos, eu te imploro”, “Que pisão!”, “Lacrou!”. Se lacrar é humilhar, falar mal e debochar das pessoas, inclusive das que estão entre os amigos, não quero nunca lacrar. Tenho 34 anos na cara já, não tenho mais saco para as lacradoras que acham que é super demais falar mal de todo mundo e diminuir a luta alheia.

Se a militância alheia não te diz respeito, por que diminuir? Acredito que, se já foi militante, sabe e entende o que é empatia, deixar de militar não é sinônimo de não praticar mais a empatia. Por que ao invés de diminuir e debochar da militância alheia, você não procurar saber mais? Não quer? Ok, direito seu, mas não debocha, não faça chacota e, muito menos, humilhe a pessoa que pertence a essa militância.

Quem ler isso pode falar “Ai, Yayoi, pra quê dar tanta importância assim?”, porque eu tenho certeza que não são só elas que pensam assim, mas espero não ter mais pessoas desse tipo no meu meio.
O que me deixou aliviada é que, ao desabafar, vi que outras amigas aprendem comigo e me deram palavras de carinho.
E assim é a militância, cansativa, decepções no caminho, mas alguma coisa a gente consegue plantar.


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