7 de mar de 2017

Japão = Ásia?



Como se não bastasse, a “O Boticário”, ter feito a linha “Africaníssima, agora chegou a vez da “Ásia Moderna”. Ásia essa que, claramente, remete apenas ao Japão. Ele colocam leques e kokeshi nos cartazes e embalagens, modelos brancas andando nas ruas de Tóquio em meio as placas escritas em neon, modelos brancas de quimono e uns palitos na cabeça, pronto, “Ásia”, sendo que na real, é só Japão. Eles poderiam ter denominado a linha como “Japão Moderno” ou só “Japão”.

No comercial tem sim, asiáticas, e nos cartazes também. A capa do Facebook da marca é uma modelo asiática, que fiquei sabendo que é uma chinesa. E sim, chinesa mesmo, não descendente brasileira. O que já acho um desrespeito e desvalorização com as modelos brasileiras. O que acho mais engraçado é que o tema é “Ásia” e tem modelo branca no meio, aliás, em sua maioria. Tem umas asiáticas e uma (s) negra (o que é super legal), mas no geral é branca... E nem me venham falar que é porque quase não tem asiáticas porque tem sim, só que querem deixar tudo branco europeu mesmo.

Confesso que me irrita um pouco esse negócio de Ásia = Japão. Ásia não é só China, Coreia do Sul, Coreia do Norte e Japão. Quando as pessoas dizem que queriam ser asiáticos, pensam, apenas, em Japão e Coreia do Sul...

A indústria vende a Ásia como “produto” exótico, mas não valoriza os asiáticos. Aliás, é irritante esse clichê todo que fazem em volta do Japão. Quimono, leque, usa umas gueixas de enfeite e vende o produto. É cansativo, sabe?
Uma hora “Ó, Ásia!” outra hora “Chineses porcos, malditos, comedores de cachorros!”, “Japoneses são honestos e trabalhadores”, “Volta pro teu país, japonês!”

É bem chato a indústria querer lucrar em cima de um continente sem ao menos divulgar sua história, sem ao menos respeitar o indivíduo. Não estou dizendo apenas dessa coleção nova, mas da anterior também. Estava tão bom quando estava no “Urban Ballet” ou qualquer outra coisa que não seja apagamento de indivíduos.

Vejam bem, a crítica não é ao indivíduo, não é às modelos, não é à agência de publicidade, mas sim unicamente à indústria.
E, mais uma vez, brancos tirando a identidade de todo um continente para ganhar dinheiro. Pouco importa o apagamento, pouco importa a representatividade, o negócio é agradar aos brancos e fazer dinheiro

6 de mar de 2017

Marchinha de Carnaval

 A figura do bloco já começa com estereótipo


Mais uma vez, amarelos foram zombados e desta vez, em uma marchinha de carnaval. Eu não ia colocar a letra aqui, mas vocês precisam ver o nível de escrotice.


Tlês e Tlinta
(Composição: Daniel Conti)

Um pastel de flango é tlês e tlinta
Um pastel de flango é tlês e tlinta

Olha tloco, né!
Olha tloco, né!
Volta semple, semple que quiser

Olha tloco, né!
Olha tloco, né!
Volta semple, semple que quiser

Um pastel de flango é tlês e tlinta (É tlês e tlinta!)
Um pastel de flango é tlês e tlinta

Olha tloco, né!
Olha tloco, né!
Volta semple, semple que quiser

Olha tloco, né!
Olha tloco, né!

Volta semple, semple que quiser

Tem yakisoba também (ching ling! ching ling!)
Muito balato, não insiste!
Só não tem desconto
E plato de tligo pla tlês tigles tliste

Só não tem desconto
E plato de tligo pla tlês tigles tliste

E se leclamá cobla mais calo de você
Eu vai coblá tlês e tlinta e tlês
E se leclamá cobla mais calo de você
Eu vai coblá tlês e tlinta e tlês

É tlês e tlinta!

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Produção: Bloco Nu Nu Mundo

Eu e mais alguns descendentes, negativamos o vídeo no Youtube e deixamos comentários de repudio. O autor da música retirou o vídeo do ar e postou um pedido de desculpas.

Neste pedido de desculpas, ele diz que não teve a intenção de ofender e que era, na verdade, uma homenagem. Foi um pedido de desculpas meio fajuto, já que, entrelinhas, a culpa é de quem se sentiu ofendido e não a dele de ter escrito algo tão ofensivo.

Fico me perguntando como acham que isso é uma homenagem. Como seria uma homenagem algo que, claramente, é zombaria? Como seria homenagem um estereótipo? Como seria homenagem algo que as pessoas usam para tirar sarro da nossa cara?

Como era de se esperar, teve SÓ choro branco na postagem de pedido de desculpas. Dizendo que o mundo está chato, que hoje tudo é preconceito, que é mimimi e as barbaridades de sempre. E teve um que falou


 Eu só acho que esse ser está desinformado, já que muitas marchinhas foram proibidas.

E teve este comentário também



Como podem ver, a culpa é do ofendido. É o ofendido que é sem graça. É o ofendido que não sabe receber uma “homenagem”. É o ofendido que tem a vida chata... Esta pessoa usou até de uma pessoa nipo descendente que, segundo ele, não se ofendeu, para justificar a falta de noção.
Uma vez, cometi o erro de comentar em uma postagem no mesmo nível deste dito humor e me vieram os mais variados tipos de respostas, inclusive de que sou mal amada e que minha vida é triste. Respondi que não, eu era bem feliz porque não precisava tirar sarro de ninguém para rir.

Eu gostaria muito de saber, qual é a dificuldade de ser empático com o ofendido? Qual a dificuldade de parar para analisar as coisas?


Ao contrário do que dizem, o mundo não está ficando chato e não é que agora, tudo é preconceito. Sempre foi e está enraizado, a diferença é que os ofendidos estão tomando coragem e fazendo ouvir suas vozes! 

24 de fev de 2017

Eu Não sou Fantasia


(Na imagem está escrito: "Nossa cultura não é um traje, fantasia. Este não é quem eu sou e isso não é ok)

Época de carnaval, época das pessoas se fantasiarem. Pipocam fantasias de todos os jeitos, umas criativas, outras com menos recursos, mas sempre tem aquelas que não deveriam estar ali... Sempre vai ter a gueixa, a (o) indígena, a japonesa, o mexicano, o árabe, a mulher...

Só que tem uma coisinha que talvez vá fazer vocês entrarem em choque: NÓS NÃO SOMOS FANTASIA! Uhum isso mesmo, não somos fantasia.

Tem tantas outras coisas que podem usar como fantasia. Tem animais, tem personagens de vídeo-game, personagens de filmes, personagens de séries, então por quê se vestir de japonesa? De mulher? Eu não sou fantasia! Eu sou mulher e descendente de japoneses 24 horas por dia, 7 dias na semana! Não é fantasia, não é zoeira!

Você quer usar quimono? Use, não tem problema algum, mas use com respeito. Quimono não é fantasia, quimono é vestimenta. E não se denomine “japonesa” e muito menos “gueixa”, tá? Vestir um quimono não te faz virar japonesa e muito menos gueixa. As pessoas ficam de zoeira com gueixa, como se fosse algo tão fácil. Gueixa não é só colocar quimono, prender o cabelo e pintar o rosto de branco, viu?

Ontem uma amiga me mostrou uma branca, super debochada, dizendo estar vestida de “gueixa”. Eu e mais algumas pessoas descendentes de asiáticos (acho que mais descendente de japoneses) fomos lá comentar. E o que ela fez?


Ninguém é 100% correto. Somos seres humanos, todos nós erramos e, principalmente, por ela ser influenciadora que nós fomos lá falar. Ao invés de nos mandar trabalhar e nos chamar de chatos, ela poderia escutar, analisar e refletir sobre. Mas não, ela preferiu bloquear. Isso, bloquear os homenageados.

Eu estaria disposta a conversar, se ela estivesse aberta a isso. Ela está preferindo apagar comentários, bloquear, mandar trabalhar, chamar de chata do que tentar entender e analisar. Desculpa, mas não vou passar a mão na cabeça só porque é mulher, ela tá CAGANDO para o que tentamos falar, explicar.
Como era de se esperar, teve fãs a defendendo e nos atacando... Inclusive um falou diretamente de mim.

Acho incrível como podem nos julgar e ainda colocar até o Jackie Chan no meio da jogada. Só fiquei bugada por ficar sabendo que não posso trabalhar, comentar no Instagram e cuidar de gato ao mesmo tempo...


Será que depois que ela escreveu isso, ela se deu conta da besteira? É óbvio que não tem nada demais se vestir de Barbie e de boneca russa... PORQUE SÃO BONECAS, CRIATURA!

Uma outra falou que daqui a pouco não pode se vestir de gari, de enfermeira... E, realmente, acho que não deveriam mesmo. Enfermeira acaba sempre sendo a “Enfermeira Sexy”, o que acaba sendo um total desrespeito com as profissionais da área. E duvido que quem está lá de “gari”, agradece ao gari que está ao lado dele recolhendo as latinhas de cerveja.

Teve um outro que falou que era engraçado ir no perfil de quem estava reclamando e ver estas usando coisas ocidentais... Cara, por que será mesmo que usamos? Talvez porque nós moramos no ocidente? Talvez porque artigos ocidentais nos é imposto?

Daí o que surge? Pessoas e até mesmo ela dizendo que o Tony Ramos fez papel de indiano e ninguém falou nada e blá, blá, blá. Tá. Só por que ninguém falou nada, não quer dizer que foi certo. A comunidade asiática fez barulho quando saiu a lista de atores da novela “Sol Nascente”, então talvez, se a tal novela em que o Tony Ramos fez personagem de indiano fosse agora, tivesse um burburinho, um barulho da comunidade indiana.

Fomos chamados de burgueses, militante de sofá (adoro esse termo ¬_¬), chatos e mimizentos. Acho que é bem fácil dizer que é mimimi quando não é você o ofendido, né? Com várias pessoas, de um mesmo núcleo, alertando sobre x coisa, será que é mesmo mimimi? Ou é falta de empatia de quem não quer reconhecer os privilégios?

Enfim, o que quero dizer é divirta-se, fantasie-se, mas com consciência. Não propague imagens estereotipadas. Respeito é bom e todo mundo merece.