29 de nov de 2018

Como Pode?



Uma vez estava conversando com uma amiga, falando das coisas que estava passando com o coiso (sim, sempre vou me referir a ele desse jeito). Aliás, passando não, que havia passado, coisas que ele havia dito.

Comecei a pensar “Mesmo sabendo que é errado, por que me permiti a aceitar isso?”, e fiquei com vergonha, inclusive sinto um misto de vergonha+ raiva até hoje porque fui trouxa o suficiente para, mesmo já tendo se ligado, ainda ter permitido que ele se aproximasse mais duas vezes e me feriu em todas as vezes.

É incrível como, talvez, por medo a gente se deixe levar por certas coisas que nitidamente são erradas. Mesmo eu sabendo que ele me deixava confusa, que fazia eu me sentir mal e me colocando uma culpa que eu sabia que não tinha, e sabendo que isso era pura manipulação e que é errado, eu continuei com ele por puro medo de o perder. Onde já se viu, eu não perdi nada, afinal, nunca tive nada.

Fiquei com um que me conquistou com o papo, no começo pelo menos. Um tempo comecei a perceber que ele sempre entendia errado o que eu escrevia, eu sempre tinha que me explicar e, por causa disso, fazia com que eu lesse e relesse toda vez que escrevia para ter certeza de que não havia margem de erro de segunda interpretação. Eu estava começando a ficar maluca já, ainda mais que eu nunca tive esse problema de comunicação ou interpretação. Fora que ele ficava me explicando várias coisas que eu não pedi por explicação, às vezes eu só queria desabafar algo e ele vinha me explicar trocentas coisas que já me faziam perder a vontade de continuar a falar daquilo porque perdia o rumo. Ele era bem feio, mas eu não liguei, afinal, beleza não se põe à mesa. MAS para ele, beleza se põe a mesa sim. Dizia que não era tudo, mas assumiu que beleza importava e muito. Disse o cara narigudo, baixinho e ruim de cama. Depois de conseguir o que queria, me deu um fora por áudio de WhatsApp, me culpou de uma parada nada a ver, cagou a minha auto-estima e depois de uns meses teve a audácia de me mandar mensagem! Fui seca e bloqueei. O gozado é que este, consegui logo bloquear, o anterior que me machucou mais, demorei mais...

A sociedade é tão podre, que permite que homens medíocres se achem os donos do pedaço, permite que homens medíocres se achem no direito de rebaixar as mulheres, permite que homens medíocres humilhem mulheres, permite que homens medíocres escolham mulheres como se estivessem em um açougue escolhendo um pedaço de carne.

Enquanto nós mulheres também deixarmos que homens medíocres se aproveitem de nós, eles vão continuar a existir. Não tenhamos medo de ficar sozinhas, melhor sozinhas do que ter alguém que nos fere.

28 de nov de 2018

Me Sinto Tonta




Me sinto uma tonta.
Me sinto uma tonta por estar me sentindo um lixo, um pedaço de cocô por causa de um homem medíocre.
Me sinto tonta justamente por saber que o tonto é o do outro lado.

É, machuca, dói, dói mais ainda por ter consciência que eu que permiti que isso ocorresse.
Sim, eu mesma, a culpa é minha.
Eu não fui forte o suficiente para dar um basta naquele que me machucou mais de uma vez.
Eu não fui forte o suficiente para me impor desde o início.

Eu fui idiota.
Fui idiota por me deixar levar.
Fui idiota por permitir que ele fizesse o que fez.
Fui idiota por continuar a conversar mesmo ele me machucando mais de uma vez.
Fui idiota por continuar a conversar mesmo percebendo que ele sempre dava um jeito de colocar a culpa em mim nas coisas que aconteciam.
Fui idiota por continuar a conversar mesmo percebendo que ele sempre dava um jeito de colocar a culpa em mim nas coisas que eu cobrava dele por algo que eu sentia falta ou que ele poderia ter feito.
Fui idiota por ter deixado, ele ter feito o que fez, mesmo quando eu me impus.

Eu tive medo.
Tive medo de ficar sozinha.
Tive medo da rejeição.
Tive medo de ninguém mais me querer.
Tive medo que eu não valesse à pena para ninguém.
Tive medo de abrir demais a boca e perder. Mas que no fundo não perderia nada, porque para perder precisa ter e eu nunca tive.

Mas eu (acho) que aprendi.
Aprendi que sou mais inteligente do que achava que era.
Aprendi que mereço ser valorizada.
Aprendi que mereço tudo aquilo que almejo.
Aprendi que mereço ser bem tratada e amada.
Aprendi que não tem problema estar sozinha por mais que bata uma carência de vez em quando.
Aprendi que é melhor estar sozinha do que com alguém que te agride psicologicamente.
Aprendi que se sentir medo de abrir a boca demais é porque tem algo errado.
Aprendi que não dá para se ter uma relação saudável se um dos lados não quer.
Aprendi que quando uma pessoa medíocre me machuca, eu já devo pular fora sem medo.

Uma coisa pelo menos foi boa: finalmente tive a coragem de bloqueá-lo!
E que eu deixe de ser trouxa, amém!

Obs: Vou deixar aqui o texto que retirei a imagem, achei ele bom! Clique aqui

29 de nov de 2017

Eu Não Aguento Mais!


Eu estava pensando em gravar um vídeo para o meu canal, mas como não tenho espaço para isso, resolvi escrever para o blog.

Acho que quem me acompanha aqui, deve ter visto a presepada que aconteceu em um programa da Rede Globo. Foi triste ver que em pleno ano de 2017 ainda se faça aquele tipo de piada.

O canal Yo Ban Boo fez um vídeo falando sobre e, para variar, teve muitos brancos dizendo que não viram nada de mais que era vitimismo, coitadismo e até fraqueza.

Vitimista? Acontece que não me senti ofendida apenas com o vídeo, mas sim por ter crescido e até hoje ainda ser chacota simplesmente por ser descendente de japoneses. Se tem descendentes que não acham nada demais, OK, mas não venha dizer que quem se sentiu ofendido é vitimista, afinal, cada pessoa recebe de uma maneira, cada pessoa vive de uma maneira, cada pessoa sabe o que sente e NINGUÉM tem o direito de dizer que a pessoa se faz de vítima. O que me deixa triste é ver asiático-brasileiro desmerecendo a fala do outro, é ver asiático-brasileiro servindo de chaveirinho de branco que se acha no direito de dizer o que é ofensivo ou não para os não-brancos.

Um dos argumentos mais usados foi o que os japoneses também não tratam bem os brasileiros que vão lá, usaram imagem de um programa de TV sul-coreano onde faziam blackface. O que não entendi foi: QUAL É A DIFICULDADE DE ENTENDER QUE ESTAMOS FALANDO DE UM PROBLEMA NO BRASIL? País esse que se orgulham tanto de ser miscigenado, mas que tem o racismo tão escancarado. Sim, há racismo no Japão, na Coreia, em qualquer outro país, mas a questão não é essa.

Disseram que somos uma tal de “geração lacração” que é a geração que se ofende por qualquer coisa.

Essa tal “geração lacração” não se ofende por "qualquer coisa", essa tal “geração lacração” está falando aquilo que os incomoda e os machuca desde criança, essa tal “geração lacração” está juntando as vozes para que as coisas mudem, para que nos respeitem, para que os futuros descendentes não tenham que passar por isso, não tenham que ser motivo de chacota para ninguém. Acho que fica bem fácil falar que o vídeo é inocente quando não é você quem é o motivo da piada o tempo inteiro, né? A questão aqui, não é fraqueza, se fôssemos fracos continuaríamos quietos levando essas chacotas "na boa".

E não, eu não escolhi me sentir ofendida, ao contrário das pessoas que escolheram, deliberadamente, ofender e ainda ter passe livre pra isso.

Disseram que foi brincadeira e que os participantes do programa estavam se divertindo e que era besteira nos ofendermos por eles.

Não sei qual está sendo a dificuldade de entender que as coisas vão além do vídeo. Na TV, propagando isso, vão continuar achando que é OK falar esse tipo de coisa para qualquer um. E não, em momento algum eu disse estar me ofendendo por eles, mas sim que eu já passei e passo por isso e me ofendo. Mas parece que não posso, é errado, já que uma pessoa que não cresceu escutando o que escuto até hoje, disse que é frescura. Uma pessoa não asiática-brasileiro, está querendo me ditar o que é ofensivo ou não para mim. Tá certinho 👍👏

Eu acho um erro muito grande quando dizem para deixar para lá, que somos melhores que isso para nos importar com zombaria, que temos que engolir e seguir. Mas não, isso tá errado, muito errado! Asiático brasileiro tem que engolir nada não. Até aqui vínhamos engolindo tudo e por isso se perpetua e a TV ainda continua a propagar. Fingir que não existe, não vai desaparecer. Acredito que devemos sim, mostrar e apontar essas merdas que vínhamos engolindo para que não continue a se propagar. Não quero que as gerações futuras continuem servindo de chacota pra branco se divertir. Ser forte, não significa se machucar.

Eu me pergunto como que o pessoal pode se incomodar tanto com o politicamente correto. Acham mesmo que era tudo super ok? Qual a dificuldade de entender que tudo sempre foi muito errado, mas agora, finalmente estão tomando coragem de dizer o que machuca?

Eu até entendo o "Não ligo, deixa pra lá", porque de tanto escutar dessas, acaba se blindando (eu me blindei de muita coisa), mas qual a dificuldade de deixar em paz quem quer mudar? Será que essas pessoas blindadas querem mesmo que os filhos, sobrinhos, primos, afilhados, filhos de amigos, filhos da vizinha, escutem a mesma coisa que eles escutaram? Querem que passem pelo mesmo? Porque assim, eu não quero isso para o meu sobrinho e capaz de eu brigar com alguém que ouse mexer com ele!.


O caminho ainda é longo, mas se tem tanta gente incomodada é porque estamos fazendo certo! 

3 de mai de 2017

"Amizades"


Ontem fiquei sabendo que eu tinha, pelo menos, quatro pessoas no meu Facebook que acham que a militância asiática é uma "opressão pra chamar de minha". Olha, sinceramente, a última coisa que eu queria, era ter uma opressão pra chamar de minha, já me basta ser mulher, não precisaria de mais sarna pra coçar.

Fiquei sabendo que essas mesmas pessoas riem de mim e disseram que apenas eu problematizo "pastel de flango" e que só falo disso, como se fosse só isso que importasse na militância asiática. Aí fica bem nítido que não leem minhas publicações. Aliás, quantas militantes asiáticas elas tem para dizerem que só eu falo disso? Se só eu me importo e falo disso? Tem certeza?


Disseram que "pastel de flango" não é uma coisa para se importar porque não é recorrente, é irrelevante... Não é recorrente pra quem? É irrelevante pra quem? Em que mundo vive para dizer que não é recorrente?

A falta de empatia foi tão imensa que me deixou bastante chateada. Não só pelo fato de estarem no meu Facebook, mas pelo fato de diminuírem a luta alheia e ainda debocharem da minha cara! Me senti bastante humilhada.

Aparentemente, não ser mais militante feminista é aval para ser escrota com as pessoas. O pior é que tudo isso é em nome do famoso “lacre”. Sim, se a pessoa é escrota aleatoriamente, sempre tem os comentários “Pisa menos, eu te imploro”, “Que pisão!”, “Lacrou!”. Se lacrar é humilhar, falar mal e debochar das pessoas, inclusive das que estão entre os amigos, não quero nunca lacrar. Tenho 34 anos na cara já, não tenho mais saco para as lacradoras que acham que é super demais falar mal de todo mundo e diminuir a luta alheia.

Se a militância alheia não te diz respeito, por que diminuir? Acredito que, se já foi militante, sabe e entende o que é empatia, deixar de militar não é sinônimo de não praticar mais a empatia. Por que ao invés de diminuir e debochar da militância alheia, você não procurar saber mais? Não quer? Ok, direito seu, mas não debocha, não faça chacota e, muito menos, humilhe a pessoa que pertence a essa militância.

Quem ler isso pode falar “Ai, Yayoi, pra quê dar tanta importância assim?”, porque eu tenho certeza que não são só elas que pensam assim, mas espero não ter mais pessoas desse tipo no meu meio.
O que me deixou aliviada é que, ao desabafar, vi que outras amigas aprendem comigo e me deram palavras de carinho.
E assim é a militância, cansativa, decepções no caminho, mas alguma coisa a gente consegue plantar.


7 de mar de 2017

Japão = Ásia?



Como se não bastasse, a “O Boticário”, ter feito a linha “Africaníssima, agora chegou a vez da “Ásia Moderna”. Ásia essa que, claramente, remete apenas ao Japão. Ele colocam leques e kokeshi nos cartazes e embalagens, modelos brancas andando nas ruas de Tóquio em meio as placas escritas em neon, modelos brancas de quimono e uns palitos na cabeça, pronto, “Ásia”, sendo que na real, é só Japão. Eles poderiam ter denominado a linha como “Japão Moderno” ou só “Japão”.

No comercial tem sim, asiáticas, e nos cartazes também. A capa do Facebook da marca é uma modelo asiática, que fiquei sabendo que é uma chinesa. E sim, chinesa mesmo, não descendente brasileira. O que já acho um desrespeito e desvalorização com as modelos brasileiras. O que acho mais engraçado é que o tema é “Ásia” e tem modelo branca no meio, aliás, em sua maioria. Tem umas asiáticas e uma (s) negra (o que é super legal), mas no geral é branca... E nem me venham falar que é porque quase não tem asiáticas porque tem sim, só que querem deixar tudo branco europeu mesmo.

Confesso que me irrita um pouco esse negócio de Ásia = Japão. Ásia não é só China, Coreia do Sul, Coreia do Norte e Japão. Quando as pessoas dizem que queriam ser asiáticos, pensam, apenas, em Japão e Coreia do Sul...

A indústria vende a Ásia como “produto” exótico, mas não valoriza os asiáticos. Aliás, é irritante esse clichê todo que fazem em volta do Japão. Quimono, leque, usa umas gueixas de enfeite e vende o produto. É cansativo, sabe?
Uma hora “Ó, Ásia!” outra hora “Chineses porcos, malditos, comedores de cachorros!”, “Japoneses são honestos e trabalhadores”, “Volta pro teu país, japonês!”

É bem chato a indústria querer lucrar em cima de um continente sem ao menos divulgar sua história, sem ao menos respeitar o indivíduo. Não estou dizendo apenas dessa coleção nova, mas da anterior também. Estava tão bom quando estava no “Urban Ballet” ou qualquer outra coisa que não seja apagamento de indivíduos.

Vejam bem, a crítica não é ao indivíduo, não é às modelos, não é à agência de publicidade, mas sim unicamente à indústria.
E, mais uma vez, brancos tirando a identidade de todo um continente para ganhar dinheiro. Pouco importa o apagamento, pouco importa a representatividade, o negócio é agradar aos brancos e fazer dinheiro

6 de mar de 2017

Marchinha de Carnaval

 A figura do bloco já começa com estereótipo


Mais uma vez, amarelos foram zombados e desta vez, em uma marchinha de carnaval. Eu não ia colocar a letra aqui, mas vocês precisam ver o nível de escrotice.


Tlês e Tlinta
(Composição: Daniel Conti)

Um pastel de flango é tlês e tlinta
Um pastel de flango é tlês e tlinta

Olha tloco, né!
Olha tloco, né!
Volta semple, semple que quiser

Olha tloco, né!
Olha tloco, né!
Volta semple, semple que quiser

Um pastel de flango é tlês e tlinta (É tlês e tlinta!)
Um pastel de flango é tlês e tlinta

Olha tloco, né!
Olha tloco, né!
Volta semple, semple que quiser

Olha tloco, né!
Olha tloco, né!

Volta semple, semple que quiser

Tem yakisoba também (ching ling! ching ling!)
Muito balato, não insiste!
Só não tem desconto
E plato de tligo pla tlês tigles tliste

Só não tem desconto
E plato de tligo pla tlês tigles tliste

E se leclamá cobla mais calo de você
Eu vai coblá tlês e tlinta e tlês
E se leclamá cobla mais calo de você
Eu vai coblá tlês e tlinta e tlês

É tlês e tlinta!

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Produção: Bloco Nu Nu Mundo

Eu e mais alguns descendentes, negativamos o vídeo no Youtube e deixamos comentários de repudio. O autor da música retirou o vídeo do ar e postou um pedido de desculpas.

Neste pedido de desculpas, ele diz que não teve a intenção de ofender e que era, na verdade, uma homenagem. Foi um pedido de desculpas meio fajuto, já que, entrelinhas, a culpa é de quem se sentiu ofendido e não a dele de ter escrito algo tão ofensivo.

Fico me perguntando como acham que isso é uma homenagem. Como seria uma homenagem algo que, claramente, é zombaria? Como seria homenagem um estereótipo? Como seria homenagem algo que as pessoas usam para tirar sarro da nossa cara?

Como era de se esperar, teve SÓ choro branco na postagem de pedido de desculpas. Dizendo que o mundo está chato, que hoje tudo é preconceito, que é mimimi e as barbaridades de sempre. E teve um que falou


 Eu só acho que esse ser está desinformado, já que muitas marchinhas foram proibidas.

E teve este comentário também



Como podem ver, a culpa é do ofendido. É o ofendido que é sem graça. É o ofendido que não sabe receber uma “homenagem”. É o ofendido que tem a vida chata... Esta pessoa usou até de uma pessoa nipo descendente que, segundo ele, não se ofendeu, para justificar a falta de noção.
Uma vez, cometi o erro de comentar em uma postagem no mesmo nível deste dito humor e me vieram os mais variados tipos de respostas, inclusive de que sou mal amada e que minha vida é triste. Respondi que não, eu era bem feliz porque não precisava tirar sarro de ninguém para rir.

Eu gostaria muito de saber, qual é a dificuldade de ser empático com o ofendido? Qual a dificuldade de parar para analisar as coisas?


Ao contrário do que dizem, o mundo não está ficando chato e não é que agora, tudo é preconceito. Sempre foi e está enraizado, a diferença é que os ofendidos estão tomando coragem e fazendo ouvir suas vozes! 

24 de fev de 2017

Eu Não sou Fantasia


(Na imagem está escrito: "Nossa cultura não é um traje, fantasia. Este não é quem eu sou e isso não é ok)

Época de carnaval, época das pessoas se fantasiarem. Pipocam fantasias de todos os jeitos, umas criativas, outras com menos recursos, mas sempre tem aquelas que não deveriam estar ali... Sempre vai ter a gueixa, a (o) indígena, a japonesa, o mexicano, o árabe, a mulher...

Só que tem uma coisinha que talvez vá fazer vocês entrarem em choque: NÓS NÃO SOMOS FANTASIA! Uhum isso mesmo, não somos fantasia.

Tem tantas outras coisas que podem usar como fantasia. Tem animais, tem personagens de vídeo-game, personagens de filmes, personagens de séries, então por quê se vestir de japonesa? De mulher? Eu não sou fantasia! Eu sou mulher e descendente de japoneses 24 horas por dia, 7 dias na semana! Não é fantasia, não é zoeira!

Você quer usar quimono? Use, não tem problema algum, mas use com respeito. Quimono não é fantasia, quimono é vestimenta. E não se denomine “japonesa” e muito menos “gueixa”, tá? Vestir um quimono não te faz virar japonesa e muito menos gueixa. As pessoas ficam de zoeira com gueixa, como se fosse algo tão fácil. Gueixa não é só colocar quimono, prender o cabelo e pintar o rosto de branco, viu?

Ontem uma amiga me mostrou uma branca, super debochada, dizendo estar vestida de “gueixa”. Eu e mais algumas pessoas descendentes de asiáticos (acho que mais descendente de japoneses) fomos lá comentar. E o que ela fez?


Ninguém é 100% correto. Somos seres humanos, todos nós erramos e, principalmente, por ela ser influenciadora que nós fomos lá falar. Ao invés de nos mandar trabalhar e nos chamar de chatos, ela poderia escutar, analisar e refletir sobre. Mas não, ela preferiu bloquear. Isso, bloquear os homenageados.

Eu estaria disposta a conversar, se ela estivesse aberta a isso. Ela está preferindo apagar comentários, bloquear, mandar trabalhar, chamar de chata do que tentar entender e analisar. Desculpa, mas não vou passar a mão na cabeça só porque é mulher, ela tá CAGANDO para o que tentamos falar, explicar.
Como era de se esperar, teve fãs a defendendo e nos atacando... Inclusive um falou diretamente de mim.

Acho incrível como podem nos julgar e ainda colocar até o Jackie Chan no meio da jogada. Só fiquei bugada por ficar sabendo que não posso trabalhar, comentar no Instagram e cuidar de gato ao mesmo tempo...


Será que depois que ela escreveu isso, ela se deu conta da besteira? É óbvio que não tem nada demais se vestir de Barbie e de boneca russa... PORQUE SÃO BONECAS, CRIATURA!

Uma outra falou que daqui a pouco não pode se vestir de gari, de enfermeira... E, realmente, acho que não deveriam mesmo. Enfermeira acaba sempre sendo a “Enfermeira Sexy”, o que acaba sendo um total desrespeito com as profissionais da área. E duvido que quem está lá de “gari”, agradece ao gari que está ao lado dele recolhendo as latinhas de cerveja.

Teve um outro que falou que era engraçado ir no perfil de quem estava reclamando e ver estas usando coisas ocidentais... Cara, por que será mesmo que usamos? Talvez porque nós moramos no ocidente? Talvez porque artigos ocidentais nos é imposto?

Daí o que surge? Pessoas e até mesmo ela dizendo que o Tony Ramos fez papel de indiano e ninguém falou nada e blá, blá, blá. Tá. Só por que ninguém falou nada, não quer dizer que foi certo. A comunidade asiática fez barulho quando saiu a lista de atores da novela “Sol Nascente”, então talvez, se a tal novela em que o Tony Ramos fez personagem de indiano fosse agora, tivesse um burburinho, um barulho da comunidade indiana.

Fomos chamados de burgueses, militante de sofá (adoro esse termo ¬_¬), chatos e mimizentos. Acho que é bem fácil dizer que é mimimi quando não é você o ofendido, né? Com várias pessoas, de um mesmo núcleo, alertando sobre x coisa, será que é mesmo mimimi? Ou é falta de empatia de quem não quer reconhecer os privilégios?

Enfim, o que quero dizer é divirta-se, fantasie-se, mas com consciência. Não propague imagens estereotipadas. Respeito é bom e todo mundo merece.


Como Pode?

Uma vez estava conversando com uma amiga, falando das coisas que estava passando com o coiso (sim, sempre vou me referir a ele desse j...