18 de out de 2014

Hm...

Me dá nervoso quando vejo pessoas falando que tá pobre e miserável quem quer, não tem dinheiro porque não quer. Porque é um vagabundo acomodado e blá blá blá. Falam como se fosse a coisa mais comum um pobre morador de comunidade virar um executivo, dono de empresa.

Quem fala isso acha mesmo que quem é pobre gosta de estar daquele jeito? Estar passando dificuldade daquele jeito? Sim, é claro que tem os acomodados (apesar de ter isso em qualquer classe social), os com espírito de pobre que já se “conformaram” com aquilo e não fazem questão de tentar mover uma palha. Tá. Mas e aqueles que não tem como MESMO mudar? Não tem nem da onde começar! Sim, existe lugares assim ainda. Lá no sertão, sertãozinho do sertão, lugar onde não tem nada, lugar esquecido por todos... E aí? Acham mesmo que aquelas pessoas estão gostando de estar naquelas condições?

Infelizmente, nem todos conseguem as mesmas oportunidades. Aí um ser fala “Ah, Yah, mas tem que correr atrás do que quer! Não pode ficar esperando cair do céu. Não pode ficar esperando ajuda do governo.”, sim, concordo com você. Minha mãe sempre me ensinou que se você quer, lute para conseguir, corra atrás. Mas eu sei que nem todo mundo tem como fazer isso. Sim, eu sei do caso do cara que era catador de lixo ou sei lá o quê e se formou na faculdade. Só que nem todo mundo tem como.

Tem os que falam que “Quem quer, faz por onde”, é fácil falar isso quando você tem acesso fácil as coisas, quando tá na cara que você JAMAIS vai estar na miséria.
Infelizmente, não são todos que tem oportunidades. Sim, oportunidades, boas oportunidades. Digo isso por experiência própria. Vocês sabem por que, eu e minha família, fomos para o Japão? Aliás, por que TIVEMOS que ir ao Japão? Porque o dinheiro tinha acabado! Sim! Acabado mesmo, mesmo! Estávamos afundados! Não estou de zoeira! Graças a Deus, tivemos a oportunidade de ir ao Japão nos reerguer. Sinceramente? Não sei como estaríamos se não tivéssemos tido essa chance...

Seria bem interessante, se as pessoas parassem de julgar sem saber. Seria interessante se essas pessoas que condenam os beneficiários do Bolsa Família, passassem uma semana na pele deles e visse realmente como é e não só tirar conclusões do que vê na Globo e lê na Veja.

“Ah, Yah, mas essas pessoas que usufruem desse benefício, são um bando de vagabundos, não trabalham e só querem saber de fazer mais filhos para descolar mais do governo.”, sim, eu sei que tem dessas pessoas, mas quem faz isso é mau caráter mesmo e seria independente de ganhar o Bolsa Família ou não. Agora, vem cá, você que condena essas pessoas, acha o quê daqueles que trabalham só alguns meses e, praticamente, se sustenta com o Seguro Desemprego? É a mesma coisa, não? Tenho certeza absoluta que esses que se aproveitam do Seguro Desemprego são os mesmos que se aproveitariam do Bolsa Família! Ou seja, sem vergonha existe em todo lugar.

Será que essas pessoas que condenam tanto o Bolsa Família (inclusive falam Bolsa Esmola) sabem que muitos já saíram do programa porque conseguiram melhorar a vida e não precisam mais do benefício? Falam que deveriam dar é emprego ao invés de dar dinheiro. Tá. Mas quem vai querer abrir uma fábrica no sertãozinho? Sim, eu soube do caso da fábrica que iam abrir lá e ninguém apareceu porque não queriam trabalhar. Não sei até onde isso é verdade, não procurei, mas também tem que ver quais foram as condições que propuseram. Eu acho bem difícil uma pessoa recusar um salário mínimo por uns R$ 200 do Bolsa Família, que na verdade é só uma ajuda porque ninguém consegue se sustentar só com esse valor.

Então, antes de sair reclamando e xingando tudo só porque viu na Globo ou na Veja, pesquise em outros sites, procure saber mais, procure saber além daquilo que a grande mídia mostra. Antes de julgar qualquer morador de rua, experimenta tentar imaginar o tanto de coisa que essa pessoa passou para que ela esteja naquelas condições...


Não, não estou dizendo para você se tornar um voluntário ou um defensor dos direitos humanos e tal, só estou pedindo menos hipocrisia nesse nosso dia a dia. É fácil xingar os outros quando se tem papai e mamãe para bancar, quando se tem certeza que nunca passará fome ou contar a historinha de como o vovô lutou para conseguir o que tem e agora VOCÊ tem uma vida boa... Não acho justo você espalhar a história do seu vovô como se o mérito fosse seu. Não é, ok?! Coloque-se no lugar do outro só por um momento antes de sair xingando, ok?!

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